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De: Sergio Silva em Recife, 04/03/2016 11:30:14h

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OPINIÃO

Por que Bolsonaro deverá vencer

Seus estrategistas aprenderam tudo com o principal inimigo: o PT

Hélio Gurovitz - colunista  

15/10/2018

A tensão, as agressões verbais, a violência que tomam conta do país na última semana despertaram todo tipo de temor a respeito de uma futura presidência Jair Bolsonaro. Um misto de ansiedade e perplexidade cercam a vitória provável dele no próximo dia 28.

 

É natural, quando a realidade não corresponde àquilo que se espera, a busca de algum refúgio para explicá-la. Também é natural que os novos fenômenos da política frustrem as análises baseadas em premissas ultrapassadas. As lentes do passado só contribuem para ofuscar tentativas de enxergá-los.

 

A escolha do brasileiro precisa ser analisada em toda a sua extensão se quisermos decifrar as perspectivas do futuro governo. Num país onde 69% dizem preferir a democracia a qualquer outro regime, é essencial não apenas respeitar a vontade do eleitorado, mas entender seus motivos, compreender o que ele disse (e o que não disse) em seu voto.

 

O primeiro enigma está na escolha de um nome que demonstra admiração pela ditadura militar, desprezo pelos direitos humanos, aprovação à tortura e certa devoção às armas de fogo. É verossímil que os 46% dos brasileiros que votaram em Bolsonaro aprovem essas ideias?

 

Dificilmente. Bolsonaro, como toda candidatura numa democracia representativa, representa uma aliança entre grupos ideológicos e de interesse. É provável que os nazistas que agrediram uma jovem lésbica em Porto Alegre, os homófobos que atacam gays pelo Brasil e simpatizantes do fascismo o apoiem. Mas nada disso faz de Bolsonaro um fascista ou nazista – ainda que ele erre ao não condenar as agressões com a devida ênfase ou até ao encorajá-las com suas frases de efeito.

 

Classificá-lo como alguém de “extrema-direita” que oferece riscos à democracia, acreditar que estamos na ante-sala de um golpe militar ou da ascensão de um regime autoritário só serve para acirrar ainda mais ânimos já exaltados e dar razão àqueles que veem comprometimento ideológico tanto na academia quanto na imprensa.

 

Em que pese todo o seu palavreado abjeto, as evidências de que Bolsonaro represente uma ameaça de ruptura legal ou jurídica são frágeis, se é que existem. Claro que é preciso ficar alerta para o futuro. Mas, hoje, a generalização em torno de termos de significado histórico preciso, como “fascismo” ou “nazismo”, é um erro de categoria que só faz alimentar sua campanha e obscurecer os riscos reais de Bolsonaro.

 

Não é preciso buscar nos anos 1930 os motivos para condená-lo. Eles são evidentes em 2018. Alguém que pretende ser presidente da República numa nação democrática não pode negar a história da ditadura militar, fazer vista grossa para a tortura ou para crimes, apenas porque são cometidos por policiais ou pelo aparelho de repressão. É do interesse das próprias Forças Armadas e da polícia respeitar e fazer cumprir a lei. Tortura e violações de direitos humanos são crimes.

 

Outro erro de categoria é classificar Bolsonaro como “liberal”, graças à súbita conversão aos princípios de mercado promovida pelo economista Paulo Guedes, uma espécie de Pigmalião que tem se encarregado da agenda econômica do candidato desde o final do ano passado. Chamar Bolsonaro de “liberal” é um absurdo tão grande quanto classificar o PT como “comunista”.

 

Liberais não defendem o ensino religioso em escolas públicas, não veem problemas na privatização da Eletrobrás, não contestam a ciência climática nem manifestam opiniões como as de Bolsonaro sobre direitos das mulheres, homossexuais e outras minorias. Qualquer um que já tenha lido Stuart Mill saberá distinguir o pensamento liberal genuíno do conservador, professado por boa parte dos apoiadores de Bolsonaro.

 

A aliança que permitiu a ascensão dele tem ingredientes do liberalismo econômico, do nacionalismo militar e do conservadorismo religioso. Eles estão presentes nos três ministros que Bolsonaro já confirmou, caso vença as eleições: Guedes, o deputado Onyx Lorenzoni e o general Augusto Heleno. Como – e se – tal aliança resistirá aos embates inevitáveis é a principal incógnita em torno de um governo Bolsonaro.

 

Mas o principal fator responsável pela vitória provável de Bolsonaro no próximo dia 28 não está entre aqueles que o apoiam. Está naqueles que disputam a eleição contra ele, em especial o PT.

 

A história recente da democracia brasileira pode ser narrada como uma disputa entre petismo e antipetismo. Bolsonaro é, hoje, o nome que canaliza o sentimento antipetista. Se dificilmente seus apoiadores são todos “fascistas que apoiam a tortura”, ninguém tem dúvida de que sejam todos contra o PT, a maioria por princípio.

 

Bolsonaro soube adaptar a estratégia petista do “nós contra eles” para seu público. A oposição anterior ao PT tinha caráter mais pragmático, de defesa de interesses, por isso nunca teve a mesma força dos petistas. Bolsonaro não. Sua turma faz oposição ideológica. Combate o PT com as mesmas armas do inimigo, adaptadas para a guerrilha no meio digital.

 

Para propagar sua narrativa, o bolsonarismo aperfeiçoou táticas que o PT consagrou. Dispõe de sites e blogueiros “amigos”, trolls e robôs nas redes sociais, um grupo de esportistas e artistas simpáticos, até "intelectuais" a espalhar suas versões e atacar a imprensa profissional.

 

Há certa ironia em ver reclamações sobre “fake news” vindas de Fernando Haddad, cujo partido sempre financiou blogs e publicações camaradas para disseminar notícias favoráveis e construir a narrativa de perseguição do PT pela imprensa, pelo Judiciário e pelas “elites”.

 

Não menos irônica é a tentativa de atrair o apoio de políticos e eleitores “centristas”, em nome da reedição da frente democrática que combateu a ditadura. É como se o naufrágio econômico provocado por Dilma ou a corrupção desmascarada pela Operação Lava Jato fossem notas de rodapé na história petista. Não custa lembrar que o petrolão foi o maior esquema de desvio de dinheiro público já desvendado no mundo.

 

Será que o PT espera que o eleitor simplesmente esqueça tudo isso, em nome de uma aliança democrática contra Bolsonaro? Que tipo de aceno o partido faz em troca? Continuará a insistir que o ex-presidente Lula é vítima de perseguição política e que o impeachment de Dilma foi “golpe”? Defenderá os erros da Nova Matriz Econômica? O aumento de gastos públicos e a política de campeões nacionais que aprofundam a crise fiscal? Continuará a negar o déficit da Previdência?

 

O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujas credenciais democráticas estão acima de qualquer suspeita, alguém que jamais apoiaria Bolsonaro, constatou o óbvio numa entrevista publicada ontem pelo jornal O Estado de S.Paulo: “Por que tem de apoiar automaticamente? Quando automaticamente o PT apoiou alguém? Com que autoridade moral o PT diz: ou me apoia ou é de direita?”.

 

O PT e Bolsonaro se escolheram como adversários mútuos logo no início da campanha. Acreditavam que um rival mais radical seria mais fácil de derrotar no segundo turno. A realidade mostra que apenas um dos dois tinha razão. No governo, o PT descobriu que a vida não é fácil num país de imprensa livre e Judiciário independente. A turma de Bolsonaro pode estar feliz com a bancada que elegeu na Câmara e com a provável vitória. Mas podem se preparar. Não terão moleza. De ninguém.

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