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De: Sergio Silva em Recife, 04/03/2016 11:30:14h

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APÓS DERROTA

No bunker do PT clima de velório e declarações de guerra

O resultado adverso já era esperado, mas a militância só começou a sentir o baque quando saiu à pesquisa de boca de urna

Eduardo Gonçalves/Veja.com  

29/10/2018

Foto: reprodução

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No discurso do derrotado Haddad o clime era de velório.

No bunker montado pelo PT em um hotel nos Jardins na Zona Sul de São Paulo, o clima foi do pranto à revolta com a eleição no segundo turno do candidato Jair Bolsonaro (PSL). O resultado adverso já era esperado, mas a militância só começou a sentir o baque quando saiu à pesquisa de boca de urna que mostrava o capitão do Exército com cerca de 10 milhões de votos a mais do que o professor petista, o que viria a se confirmar depois com a abertura das urnas.

 

Antes de sair o resultado oficial, o silêncio imperou na maior parte do tempo no saguão do hotel e só foi rompido quando o coordenador da campanha de Haddad, Paulo Okamotto, gritou um sonoro “Ganhamos”.

 

Alguns militantes saltaram da cadeira, mas a empolgação durou pouco. Ele se referia à eleição da senadora petista Fátima Bezerra ao governo do Rio Grande do Norte – a única vitória do PT neste segundo turno. A disputa nacional já estava decidida.  

 

O silêncio deu lugar ao choro, quando os telejornais começaram a mostrar a celebração de apoiadores de Bolsonaro nas praias do Rio de Janeiro. Do lado de fora do hotel, entrava o som de vuvuzelas, buzinaços e fogos de artifício que eram lançados a duas quadras dali, na Avenida Paulista.

 

Após o pranto, veio sentimento de revolta que foi vocalizado por dirigentes petistas. “Se ele declarar a guerra mesmo, nós vamos para a guerra. Nas ruas, no parlamento e nas trincheiras”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), reeleito neste ano.

 

O presidente do diretório estadual de São Paulo, Emídio Souza, foi na mesma linha: “Não estamos tratando de um presidente comum, ele chamou o país para a guerra e nós vamos para a guerra”.

 

O tom belicoso faz parte da estratégia petista para se firmar como protagonista na oposição ao governo Bolsonaro. O candidato derrotado do PT, Fernando Haddad, não telefonou ao presidente eleito e, em seu discurso, invocou frases do hino nacional para dizer que “um professor não foge à luta, nem teme quem adora a liberdade à própria morte”.

 

“Eu coloco a minha vida à disposição deste país. Tenho certeza que falo por milhões de pessoas que colocam o Brasil acima da própria vida, do próprio bem-estar”, completou. A militância atendeu ao apelo, chamando-o de “guerreiro” e entoando gritos de “a luta começou”.

 

Uma reunião da direção do PT foi marcada para esta terça-feira em São Paulo para debater uma agenda de ações contra Bolsonaro ainda neste ano. Antes, os dirigentes devem consultar o seu líder máximo, o ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá. Emídio irá já nesta segunda-feira. Haddad, na terça ou na quarta-feira.

 

O único que já anunciou atos concretos contra Bolsonaro foi o coordenador do MTST e candidato do PSOL, Guilherme Boulos, que saiu do hotel divulgando manifestações pelo país a partir desta semana. “Bolsonaro foi eleito presidente e não a ditador. Vamos lembra-lo disso”, afirmou.

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