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De: Sergio Silva em Recife, 04/03/2016 11:30:14h

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Esporte|

De onde vem o dinheiro? O que o São Paulo precisa para bancar Daniel Alves, Juanfran, Pato & Cia

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Fonte: Globo Esporte 

08/08/2019

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Resumindo: o São Paulo precisa vender pelo menos R$ 75 milhões em jogadores nos próximos meses para poder bancar os salários de Daniel Alves, Juanfran, Alexandre Pato, Hernanes & Cia. Além disso, precisará reduzir a folha salarial com saída de outros quatro ou cinco jogadores. E, claro, fazer valer o projeto de exploração de imagem de Daniel Alves. Isso se não quiser fechar o ano no vermelho.

O São Paulo dará conta de tanto gasto?

Apresentado com transmissão ao vivo e mais de 40 mil ingressos vendidos, Daniel Alves chega ao São Paulo com o status de maior contratação do clube neste século. Status e custo, claro. Com remuneração próxima a 4,5 milhões de euros por temporada (cerca de R$ 19 milhões), o lateral também passa a ser o mais bem remunerado do futebol brasileiro. Ele ainda tem a companhia do espanhol Juanfran, de Alexandre Pato e Hernanes, todos com salários acima da média.

A base para compreender os riscos dessas contratações está no orçamento para 2019, produzido pelo clube no fim do ano passado com as previsões financeiras para esta temporada. Apesar de o documento não ter sido publicado, o GloboEsporte.com obteve alguns números.

O São Paulo calculou que arrecadaria R$ 471 milhões em 2019. Descontados os custos que teria no decorrer da temporada, ficaria um superavit de R$ 3 milhões. Um lucro simbólico. Só para fechar a conta. Esses dois números são importantes ao avaliar os reforços deste ano.

Há motivos para crer que aquele orçamento não será cumprido por parte das receitas. Em primeiro lugar, por mau desempenho do futebol, eliminado precocemente na Libertadores e na Copa do Brasil, o clube não poderá contar com todo o dinheiro que se preparou para receber. Por não alcançar as fases que pretendia chegar, a diretoria calcula que deixará de arrecadar algo entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões.

Em segundo lugar, uma parte considerável deste faturamento está vinculada a transferências de atletas que ainda não ocorreram. Do total, R$ 122 milhões precisam sair de vendas para que o orçamento seja cumprido. Até o momento, o São Paulo vendeu Rodrigo Caio por R$ 22 milhões e obteve um repasse de R$ 25 milhões da transferência de Éder Militão. Ainda é pouco.

Grosseiramente, faltam R$ 75 milhões para que o clube chegue em sua própria previsão orçamentária. Sendo ainda mais direto: precisa vender jogador para equilibrar as contas. Se não vender, fecha no vermelho.
Leco e Raí apresentam Daniel Alves no São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Leco e Raí apresentam Daniel Alves no São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Embora não tenhamos números precisos do lado dos custos, sabemos que a diretoria tricolor não previu tantas contratações ao formular seu orçamento.

Daniel Alves, Juanfran, Alexandre Pato, Hernanes e outros jogadores do elenco custam mais em salários, luvas e direitos de imagem do que o departamento financeiro estava pronto para pagar.

Ou seja: o clube não estava preparado para tantas estrelas.

As receitas estão mais baixas do que previa o orçamento. As despesas estão mais altas. E não havia margem para tanta diferença. Se o clube tivesse preparado uma previsão em que haveria superavit de R$ 50 milhões, por exemplo, esta “gordura” poderia ser usada para fazer os investimentos. Como trabalhava com um lucro mirrado de R$ 3 milhões, agora o clube precisa correr atrás para não terminar o ano no vermelho.

Neste contexto desafiador no aspecto financeiro, o São Paulo trabalha com três frentes de atuação para enquadrar despesas nas receitas.

Leco tem tarefa de organizar finanças do São Paulo após reforços — Foto: Marcos Ribolli

Leco tem tarefa de organizar finanças do São Paulo após reforços — Foto: Marcos Ribolli

1. Redução da folha salarial

Começou com a saída de Nenê em julho. A rescisão do contrato do jogador aliviou a folha salarial tricolor. Mas ainda é pouco. Hoje o clube trabalha com a perspectiva de liberar mais quatro ou cinco jogadores para abrir espaço para os salários dos reforços.

2. Exploração da imagem de Daniel Alves

O São Paulo finalizou a negociação por Daniel Alves com sinais positivos de algumas empresas, no sentido de que elas farão aportes no clube para ajudá-lo a bancar o reforço. Possivelmente como patrocinadoras do clube e do atleta. No entanto, os acordos ainda não estão fechados. A diretoria estuda a contratação de uma agência de publicidade, ou similar, para que as negociações não dependam apenas do marketing.

3. Aumentos em receitas indiretas

A apresentação de Daniel Alves no Morumbi, com ingressos vendidos a R$ 5, proporcionou ao clube uma renda superior a R$ 150 mil. A direção conta com iniciativas como esta para fechar a conta. Mais do que isso, espera que seu faturamento com bilheterias e sócios torcedores aumente graças à empolgação causada pela chegada de tantos reforços.

Ainda é possível estimar que, caso os reforços consigam melhorar o desempenho do São Paulo no Campeonato Brasileiro, receitas com direitos de transmissão serão ligeiramente melhores do que se esperava. A cota de televisão agora depende do número de partidas transmitidas e da colocação final na tabela. Quanto melhor o futebol apresentado por Daniel Alves e companhia, mais dinheiro eles vão gerar.

Diferente de clubes que se prepararam por alguns anos para suportar altos custos, como Flamengo e Palmeiras, o São Paulo não entrou em 2019 com a casa pronta para fazer investimentos. Pelo contrário, passou o primeiro semestre apertado financeiramente e estuda maneiras de captar dinheiro emprestado no mercado financeiro.

De antemão, não é possível cravar o sucesso ou o insucesso dos investimentos são-paulinos para a temporada. Se o elenco reforçado entregar uma boa colocação no Campeonato Brasileiro e a diretoria achar os meios para fechar a conta, a grande jogada terá valido a pena. Caso nada do que está planejado dê certo, o risco é certo: a nova estratégia são-paulina pode causar uma grande dor de cabeça.

 

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