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De: Sergio Silva em Recife, 04/03/2016 11:30:14h

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CRÔNICA

A flechada metafísica

Enquanto houver bambu, lá vai flecha, afirma o jornalista Guilherme Fiuza, cronista da revista Época

Guilherme Fiúza - Época  

18/07/2017

Esta frase lapidar foi dita em circunstâncias épicas, mas há controvérsia sobre seu verdadeiro autor. Há quem diga que foi proferida por um índio Pataxó ao avistar a esquadra de Cabral. Outros asseveram que foi o brado de um garoto mimado brincando de forte apache no playground. Uma terceira hipótese dá conta de que teria sido a declaração de um procurador da República – mas nesta ninguém acredita, por sua inverossimilhança. O fato é que, pelo sucesso de público e crítica, o arco e flecha virou emblema da moral tarja preta no Brasil.
 
Quando o companheiro Aloizio Mercadante, ministro da Educação de Dilma Rousseff (lembram-se dela?), foi gravado tentando silenciar o senador preso Delcídio do Amaral não houve flecha. O bambu devia estar em falta. Aliás, esteve em falta por mais de dois anos – pelo menos para flechar Dilma. Foi quando a floresta de escândalos revelados pela operação Lava Jato expôs a presidente da República no centro da maior quadrilha política da história ocidental. Detalhe: ela foi reeleita no meio da lama, sem flecha.
 
Deu para entender como a crise do bambu pode ferrar um país? Pois bem: foi só a líder máxima do partido que depenou o Brasil ser apeada do poder, e o bambuzal voltou a vicejar na pátria amada. A flechada mais venenosa foi reservada ao sucessor de Dilma – e o veneno era letal: o presidente da República teria regido a compra do silêncio do deputado preso Eduardo Cunha. “Bomba atômica!” – anunciaram os porta-vozes do flechador. Mas, superada a crise do bambu, ninguém contava com a crise do veneno.
 
A flechada letal não matou, ou seja, tratava-se de uma letalidade tabajara (o Casseta & Planeta já emitiu nota oficial repudiando qualquer envolvimento das suas organizações orgulhosamente vagabundas com os fatos recentes de Brasília). O jeito foi partir para periciar a flecha. E o resultado chocou a todos: a compra do silêncio do deputado não estava lá. Pelo menos, não era visível a lho nu, como a do companheiro Mercadante. Como se vê, há silêncios mais silenciosos que outros. Mesmo assim, boa parte da tribo optou por continuar acreditando no que disseram a ela – inaugurando assim a modalidade da flechada metafísica.
 
Tinha um negócio também de uma mala de dinheiro do caubói biônico do PT que iria para o presidente da República. Mais uma revelação impressionante, certamente a primeira vez na história do crime que alguém pagou um suborno mais alto do que a vantagem que teria com ele (o primeiro suborno deficitário da história). Mas o atirador de elite das investigações tabajara disse que foi assim, então foi. A verdade emana do bambu. Só não deu para entender por que a arapuca tão bem montadinha pelo flecheiro não seguiu o dinheiro até o bolso do presidente. É o tipo de pergunta que não se faz no bambuzal.
 
O bom é que a plateia desse tipo de espetáculo não está nem aí para detalhes de produção. O negócio é vibrar com os efeitos especiais. E foi assim que o Brasil teve seu primeiro presidente denunciado por corrupção – coincidentemente o mesmo que saneou a Petrobras, tirando-a das mãos dos meliantes associados à sua antecessora, que por sua vez jamais mereceu uma flechada bonita como essa. Só pode ser discriminação contra a mulher.
Aí prenderam Geddel. “Amigo do mordomo!”, gritaram os caçadores. Eles não erram uma. É bem verdade que o cidadão foi preso por delitos cometidos como ministro do governo petista (e no governo do mordomo ele foi demitido). Mas isso não tem a menor importância. A plateia não está nem aí para distinguir os que lesaram o estado brasileiro – como está patente no caso Petrobras e na recuperação dos principais indicadores econômicos do país. Zé Dirceu está na rua, Lula está em campanha e o crime compensou. Aliás, o flecheiro nem mandou o caubói gravar Mantega e Lula, os maestros da derrocada. Mistérios do bambuzal.
 
A notícia boa é que o braço direito do flecheiro – aquele que fez o sacrifício de largar a Procuradoria para montar a alforria do caubói e ficar milionário – já não está mais no escritório da leniência. Flecha é assim mesmo, passa zunindo. O show tem que continuar – enquanto houver bambu no picadeiro e palhaços na plateia.
 
 

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