Na manhã desta sexta-feira (09), familiares e amigos de Antônio da Silva, de 75 anos, assassinado brutalmente no último domingo (04), em Picos , realizaram um ato de repúdio contra a soltura dos principais suspeitos do crime. O homem, que não teve a identidade revelada, foi preso na segunda-feira (05), mas acabou sendo colocado em liberdade após audiência de custódia realizada na quarta-feira (07).
A mobilização aconteceu na oficina onde Antônio trabalhava e onde também foi encontrado sem vida. O filho da vítima, Júlio Araújo, foi a primeira pessoa a localizar o pai morto e afirmou que a decisão judicial causou profunda indignação à família.
"Quando soubemos da audiência de custódia, em que o principal suspeito foi solto, a família e muitos amigos ficaram revoltados. O trabalho da Polícia Militar e da Polícia Civil aponta claramente claras de autoria do crime. Além disso, esse indivíduo não tem residência fixa, não tem endereço", declarou.
Júlio também questionou as medidas cautelares impostas no alvará de soltura, classificando-as como contraditórias.
“O que consta no alvará é algo ilógico até para quem não é do Direito. Determinar que uma pessoa fique recolha das 22h às 5h, mas ela vai para onde? Não tem casa. Quem vai fiscalizar? É algo inconsistente. Ele não vai confessar o crime, não vai produzir provas contra si mesmo. Essa pessoa pode simplesmente desaparecer da cidade”, afirmou.
A indignação também é compartilhada pelos amigos da vítima. João Ananias, que conhecia Antônio há muitos anos, destacou o impacto emocional causado pelo crime e pela soltura do suspeito.
"A gente fica traumatizado com uma situação brutal e, na mesma hora, vê o suspeito ser liberado. Só quem está sentindo essa dor sabe. Antônio era meu amigo. Foi uma grande surpresa tanto o crime quanto essa soltura", lamentou.
O vizinho e amigo Francisco Mariano também se manifestou, ressaltando a necessidade de uma conclusão firme por parte da Justiça.
"É preciso ter certeza para que a prisão ocorra e amenize a angústia da família. A vida de um grande amigo se foi. Um homem justo, organizado", disse.
Pedido por Justiça
A família informou que irá acionar o Ministério Público para acompanhar o andamento do processo judicial.
"Vamos aguardar a conclusão do inquérito policial e também buscar apoio do Ministério Público. Meu pai foi pego à traição, morto sem chance de defesa. Era um idoso ativo", afirmou Júlio.
O crime
De acordo com informações repassadas pela família, no sábado (03) houve o furto de uma bomba de água na oficina. Um funcionário apontaria o suspeito como autor do furto. No domingo (04), Antônio teria ido confrontá-lo e retornar ao local de trabalho. Horas depois, o crime foi registrado.
À imprensa, Júlio Araújo relatou os momentos de desespero ao encontrar o pai caído no chão, sobre um tapete e já sem vida.
"Meu pai estava bastante ensanguentado e machucado. É uma cena que eu nunca vou esquecer", concluiu.
Fonte: Cidade Verde
